A estadia de caminhão se calcula multiplicando a capacidade total do veículo em toneladas pelo valor da tonelada/hora e pelo número de horas que passaram das 5 permitidas, contadas da chegada do veículo ao endereço de destino. O valor de referência publicado pela ANTT é de R$ 2,50 por tonelada/hora desde 13 de maio de 2026. A maior parte do que se escreve sobre o assunto explica como o transportador cobra; este guia faz a conta do lado de quem recebe, porque é ali que ela vira custo recorrente e onde ela pode ser evitada.
A regra em três linhas
A base é o art. 11 da Lei 11.442/2007, com a redação dada pela Lei 13.103/2015. Três pontos definem a conta:
- Prazo: o máximo para carga e descarga é de 5 horas, contadas da chegada do veículo ao endereço de destino. Vale o tempo total no local, e não só a espera até encostar na doca.
- Base de cálculo: considera-se a capacidade total de transporte do veículo, não o peso que ele efetivamente carrega.
- Início da contagem: quando há pagamento por tempo de espera, ele é calculado a partir da hora de chegada, na procedência ou no destino.
O valor por tonelada/hora ou fração é atualizado anualmente pelo INPC e divulgado pela ANTT na página oficial de carga e descarga. A atualização de maio de 2026, de 3,76%, levou o valor a R$ 2,50; as duas anteriores foram de 5,20% (2025) e 3,39% (2024). Confira sempre a página da agência antes de calcular, porque o número muda todo ano.
A fórmula, com um exemplo
Estadia = capacidade total do veículo (t) × valor ANTT por tonelada/hora × horas acima de 5
Um exemplo ilustrativo, não retirado de caso real: um veículo com capacidade total de 30 toneladas chega ao destino às 6h e termina de descarregar às 14h. Foram 8 horas no local, 3 acima do prazo.
30 t × R$ 2,50 × 3 h = R$ 225
O valor por veículo parece pequeno. O problema é a repetição. Se 10 veículos por dia passarem 3 horas do prazo, são R$ 2.250 por dia, cerca de R$ 49.500 em 22 dias úteis. Nesse exemplo, a estadia deixou de ser exceção e virou uma linha de custo previsível. A lei fala em valor “por tonelada/hora ou fração”; para o tratamento da fração de hora no seu contrato e nas suas cobranças, vale confirmar com o jurídico da operação.
Onde a conta vira disputa
A discussão raramente é sobre a fórmula. Costuma ser sobre prova: a que horas o veículo chegou e a que horas terminou o atendimento. O art. 11, §9º, obriga embarcador e destinatário a informar ao transportador, em campo específico do DT-e (Documento Eletrônico de Transporte), o horário de chegada do caminhão às suas dependências, sob pena de multa aplicada pela ANTT que não excede 5% do valor da carga.
Quem recebe sem registro confiável de chegada fica em posição fraca. Um caso julgado pela 3ª Vara do Juizado Especial Cível de Santos ilustra a ordem de grandeza: um motorista esperou 98 horas e 20 minutos para descarregar 32 toneladas de farelo de soja, e as empresas rés foram condenadas a pagar R$ 10.527,03 de estadia excedente, mais R$ 723 de estacionamento. A sentença afastou o argumento de chuva como justificativa (ConJur, abril de 2025). É um caso extremo, mas mostra que o tempo de pátio que ninguém mede pode acabar sendo medido por um juiz.
Quanto isso pesa na sua operação
O SETCESP divulgou, em dezembro de 2025, que o tempo médio de descarregamento nos principais pontos recebedores da cidade de São Paulo e região metropolitana é de 5h09 (SETCESP). Não é uma média nacional, mas mostra que, em uma das maiores regiões de recebimento do país, o tempo médio já passa do limite da lei.
Para saber a sua exposição, monte uma planilha simples, com uma linha por veículo:
| Coluna | O que registrar |
|---|---|
| Hora de chegada | Registro na portaria ou no check-in, não estimativa |
| Hora de fim da descarga | Conclusão do atendimento |
| Tempo total no local | Fim menos chegada |
| Horas acima de 5 | Máximo entre zero e (tempo total − 5) |
| Capacidade total do veículo | Em toneladas, conforme o documento do veículo |
| Estadia potencial | Capacidade × valor ANTT × horas acima de 5 |
Em um mês, a soma da última coluna é o valor que a sua operação carrega de risco. Os artigos sobre recebimento de mercadorias e agendamento de carga e descarga mostram onde esse tempo se perde.
Como evitar: dimensione as janelas pela capacidade
A forma mais barata de reduzir estadia é evitar que os veículos cheguem todos ao mesmo tempo. Isso exige contas, e não só uma agenda por horário. O guia de gestão de docas trata do passo a passo; aqui vai a aritmética que sustenta as janelas.
Janelas por doca no turno = horas do turno ÷ (duração média do atendimento + folga), arredondando para baixo.
Exemplo ilustrativo: turno de 10 horas, atendimento médio de 90 minutos e folga de 15 minutos entre veículos. São 600 ÷ 105 = 5,7, ou seja, 5 janelas por doca. Com 4 docas, a capacidade é de 20 veículos por dia. Se a demanda é de 26, seis veículos ficam sem lugar, e o resultado é fila de pátio e estadia. A conta mostra as alternativas: estender o turno, reduzir a duração da conferência ou redistribuir parte da demanda para outros dias.
Três cuidados:
- Meça a duração por tipo de carga. Carga paletizada homogênea e carga fracionada com conferência item a item têm ritmos diferentes; uma média única esconde isso.
- Não use a média como prazo de janela. Se a duração varia muito, uma janela baseada na média estoura em metade dos casos. Prefira um percentual mais alto da sua própria distribuição de tempos, definido com os dados que você coletou.
- Reserve folga entre janelas. Sem folga, um atraso de estrada derruba a agenda inteira.
O que medir
- Percentual de veículos acima de 5 horas, por doca e por faixa horária.
- Estadia potencial mensal, pela planilha acima.
- Aderência à janela agendada. Mostra se a agenda é realista.
- Tempo de espera antes de encostar na doca, separado do tempo de descarga. Diz onde está o gargalo: no pátio ou na doca.
- Veículos sem registro de chegada. Cada um é uma disputa em potencial.
Para a leitura de indicadores de espera em geral, veja os KPIs de atendimento presencial.
Onde a tecnologia entra
Uma planilha resolve o começo, mas ela depende de alguém anotar a chegada de cada veículo, e é nesse ponto que o registro falha. O Filazero Core trata o pátio como uma fila que precisa ser virtualizada e prevista: agendamento das janelas, check-in digital na chegada, fila virtual com posição e previsão em tempo real, e a chamada do veículo no momento certo. O horário de chegada passa a existir como dado e não como memória da portaria, e a operação enxerga a fila do pátio antes de ela virar estadia.
Perguntas rápidas
Qual é o valor da estadia por hora?
A ANTT divulga R$ 2,50 por tonelada/hora ou fração, na atualização de 13 de maio de 2026. O valor é atualizado anualmente pelo INPC.
O prazo de 5 horas conta a partir de quando?
Da chegada do veículo ao endereço de destino, e não do momento em que ele encosta na doca. O tempo de fila no pátio já conta.
A estadia depende do peso que o caminhão carrega?
Não. O cálculo considera a capacidade total de transporte do veículo, conforme o art. 11, §7º, da Lei 11.442/2007.
Conclusão
Calcular a estadia é simples: capacidade, valor da tonelada/hora e horas acima de 5. O difícil é saber quantas horas foram, porque isso depende de registrar a chegada e o fim do atendimento de cada veículo. Quem mede tem como negociar janela com fornecedor, dimensionar docas e se defender numa cobrança; quem não mede descobre o número quando ele chega em forma de cobrança.
Se a sua operação ainda registra chegada de caminhão em papel ou de memória, agende uma demonstração e veja o Filazero em ação.